Adoração dos Magos
Coleção de Pintura

Pintura a óleo sobre tela, com as medidas de 133x139 cm, esta obra da Adoração dos Magos constitui um interessante documento sobre as vicissitudes do património nacional ao longo dos séc. XIX e XX. Extraída ao acervo do Comandante Ernesto Vilhena, um dos mais notáveis colecionadores portugueses do Séc. XX, foi a leilao em 2014, realizado na Quinta de Sant'Ana (Mafra), tendo sido arrematado com o intuito de integrar e valorizar o património museológico da Santa Casa da Misericórdia do Porto.

Desprovida de qualquer fonte ou registo que ateste a sua proveniência "Original", não nos permite reconstituir o percurso nem elaborar uma fortuna crítica sobre / desta obra. O catálogo da leiloeira atribui a obra a Vieira Lusitano, veiculando a informação do proprietário assinalando que o hipotético pintor "representou-se na pintura com uma paleta na mão". Efectivamente, a primeira observação à pintura permite-nos distinguir na composição duas figuras que estão ausentes da grelha iconográfica: um homem e uma mulher assistem, numa posição marginal, à cena da Adoração que se desenrola ante os seus olhos.

O autor usou uma paleta de cores suaves, na qual se destacam as tonalidades azuis, os vermelhos e o verde (vestes), que sobrepostos ou em contacto, salientam contrastes e conferem maior densidade às personagens representadas. embora não seja possível determinar, através da observação da cena representada , o lugar onde se desenrola, é percetível, uma articulação entre o exterior e o interior, através de figurantes, objectos e outros elementos que acentuam as circunstâncias históricas  do evento e acrescentam credibilidade à representação. São eles o cajado e as espigas, os lírios e cesto com ramo de alecrim, todos associados à Sagrada Família, e os atributos relacionados com os três ofertantes: um cofre pousado no chão, cujo interior se distingue uma coroa de ouro (associado a Belchior), uma caixa de madeira de cor verde (Contendo, talvez, incenso, elemento ligado a Gaspar) e um vaso com mirra (transportado por Baltazar).  Os três Magos são ainda reconhecíveis pela sua indumentária luxuosamente pincelada em tos e padrões que evidenciam tecidos ricos. Finalmente o uso de turbantes, rematados com pequenas coroas, define a sua qualidade e estatuto.


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