MMIPO

Secretário de Estado da Cultura na inauguração de exposição sobre a Ucrânia


O MMIPO - Museu e Igreja da Misericórdia do Porto inaugurou, no dia 11 de junho, a exposição "Rever valores: a perspetiva Ucraniana", apresentada em colaboração com a galeria ucraniana ZAG Contemporary Art Gallery

A cerimónia reuniu intervenções do Provedor da Misericórdia do Porto, António Tavares, do Secretário de Estado da Cultura, Alberto Santos, da Diretora e Curadora da ZAG Contemporary Art Gallery, Khrystyna Berehovcska, e do Vereador da Cultura e Património da Câmara Municipal do Porto, Jorge Sobrado.

Patente ao público até 13 de setembro de 2026, a exposição convida à reflexão sobre identidade, memória, liberdade, resistência e dignidade humana, num contexto marcado pela guerra e pela instabilidade vivida na Ucrânia. A mostra apresenta o trabalho de quatro artistas ucranianos contemporâneos (Liubomyr Medvid, Heiza Derke, Taras Haida e Makar Moskalyuk), organizado em três núcleos temáticos que abordam diferentes perspetivas sobre a experiência humana em tempo de conflito.


Abrir portas à reflexão sobre a guerra na Ucrânia

O Provedor da Misericórdia do Porto, António Tavares, iniciou a sessão de apresentação da exposição respondendo à pergunta "Porque é que a Misericórdia do Porto recebe esta exposição?". Para António Tavares, a Instituição, "na sua longa história, já conviveu com muitas situações daquelas que o povo ucraniano neste momento está a viver". "Os valores são sempre os mesmos, seja do lado ucraniano seja do lado português, nós temos sempre a luta pelos valores da liberdade e os valores da solidariedade entre todos", defende.  

Sobre as obras patentes na exposição, o representante da nossa Santa Casa referiu ainda que "os quadros que aqui estão refletem exatamente o contributo dos artistas ucranianos para este combate que o povo trava". O Provedor manifestou ainda o desejo de que a iniciativa contribua para que "os laços entre os dois povos fiquem mais próximos".


Arte como testemunho da resistência humana

O Secretário de Estado da Cultura, Alberto Santos, frisou que a guerra na Ucrânia veio demonstrar que a liberdade e a paz não podem ser consideradas garantidas, observando que "esta guerra recordou que nada disso é irreversível". Alberto Santos acrescentou ainda que "a liberdade, a democracia, a dignidade da pessoa humana e o direito de cada povo decidir o seu próprio futuro continuam a merecer defesa e compromisso", salientando que "nenhuma sociedade pode permanecer indiferente ao sofrimento humano".

O Secretário de Estado destacou a forma como os quatro artistas ucranianos "transformam a experiência do seu país numa linguagem capaz de ser compreendida muito para além das fronteiras da Ucrânia".

Para Alberto Santos, ainda que as obras transportem consigo a experiência da guerra, "falam sobretudo das pessoas, da vida, dos sonhos que ainda têm pela frente, das suas perdas, das suas escolhas, dos seus medos, mas sobretudo da sua capacidade de resistir". "E a arte é isso. Permite-nos chegar a lugares onde a informação, as estatísticas ou até as análises políticas raramente alcançam", conclui.


Ucrânia pela liberdade e pela paz

Na sua intervenção, a Diretora e Curadora da ZAG Contemporary Art Gallery, Khrystyna Berehovcska, explicou que a exposição procura responder às questões "O que quer a Ucrânia? O que procura a Ucrânia? O que está a Ucrânia a construir?", deixando uma resposta clara: "liberdade e paz. Por outras palavras, um céu limpo, sem mísseis". 

Para a curadora, esta exposição é "sobre o ser humano, sobre a pessoa e seu processo", destacando que "não importa qual resultado teremos, o principal para nós é o processo de viver". Acrescentou ainda que os trabalhos, criados por artistas de diferentes gerações e regiões da Ucrânia, "utilizam técnicas e estilos variados, mas cada um deles representa emoção diária, a coragem e a motivação para viver, apesar das circunstâncias difíceis".

Khrystyna Berehovcska terminou a sua apresentação defendendo que "a nossa exposição não é sobre a guerra. A nossa exposição é sobre a vida".


Porto, cidade de liberdade

O Vereador da Cultura e Património da Câmara Municipal do Porto, Jorge Sobrado, relembrou a ligação histórica da cidade às lutas democráticas, afirmando que "o Porto é uma cidade de liberdade. É a cidade portuguesa da liberdade". Saudando a iniciativa promovida pelo MMIPO, considerou que esta exposição "honra o Porto e honra o povo da Ucrânia".

Jorge Sobrado sublinhou ainda que a defesa da liberdade continuará a marcar a ação cultural do Município, recordando que a cidade irá desenvolver um programa dedicado às lutas liberais portuguesas. "Ao fazê-lo, estamos também a abraçar a causa da Ucrânia pela liberdade", referiu.

O Vereador reforçou a solidariedade da cidade para com o povo ucraniano, encerrando a sua intervenção com uma mensagem clara: "O Porto está ao lado da Ucrânia".


Cultura como espaço de encontro 

A sessão contou com meia centena de participantes, incluindo representantes de diversas entidades institucionais. Entre os presentes estiveram os Órgãos Sociais da Misericórdia do Porto, o Vereador da Câmara Municipal do Porto e coordenador do Grupo de Trabalho da Misericórdia do Porto para a Saúde (horizonte 2026-2030), Manuel Pizarro, e o Secretário Executivo da Área Metropolitana do Porto, Agostinho Branquinho. Entre a plateia encontravam-se ainda Germano Silva e Joel Cleto, dois dos historiadores mais conceituados do Porto.

A apresentação desta exposição reforça o papel do MMIPO enquanto espaço de diálogo cultural e de reflexão sobre temas contemporâneos com relevância social e humana. Através da programação cultural do MMIPO, a Misericórdia do Porto mantém a aposta na promoção do acesso à cultura, na valorização do património artístico e na criação de oportunidades de encontro entre diferentes realidades, sensibilidades e perspetivas.

A exposição "Rever valores: a perspetiva Ucraniana" pode ser visitada no MMIPO até 13 de setembro de 2026.




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