MMIPO

O traço de Nasoni na Misericórdia do Porto


A 2 de junho assinala-se o aniversário do nascimento de Nicolau Nasoni, figura maior do Barroco cuja obra não pertence em exclusivo a uma só instituição portuense, nem se circunscreve à cidade do Porto. Natural de San Giovanni Valdarno, na Toscana, nasceu longe da Invicta, mas foi nesta cidade que desenvolveu de forma particularmente expressiva as suas múltiplas aptidões artísticas, deixando uma marca indelével em diversos monumentos e espaços patrimoniais.


A marca da Casa da Prelada

Uma das expressões mais significativas do legado de Nicolau Nasoni na Misericórdia do Porto encontra-se na Casa da Prelada e no jardim envolvente, situados na freguesia de Ramalde. Ambos integram a antiga Quinta da Prelada, considerada o maior conjunto paisagístico delineado pelo arquiteto italiano, onde se encontra um dos maiores labirintos de buxo da Península Ibérica.

Embora hoje apresente uma configuração diferente da original, o espaço permite ainda compreender a dimensão que a propriedade terá tido no passado, quando se estendia por uma área muito mais ampla, posteriormente atravessada pela Via de Cintura Interna (VCI).

A Casa e a Quinta da Prelada foram mandadas construir por D. António Noronha Menezes Mesquita e Melo, seguindo o projeto de Nasoni, tendo ficado concluídas por volta de 1758. A propriedade manteve-se na posse da família Noronha e Menezes até 1903, ano em que D. Francisco de Noronha Menezes a doou à Misericórdia do Porto.

Desde então, a Casa da Prelada conheceu diferentes utilizações ao serviço da Instituição. Atualmente, a Casa acolhe, entre outras valências, o Arquivo Histórico da Misericórdia do Porto, preservando documentação fundamental para o conhecimento da Instituição e da sua ação ao longo dos séculos.


A frontaria barroca

O legado de Nicolau Nasoni na Misericórdia do Porto não se esgota na Casa da Prelada. Também na Rua das Flores, a sua presença é visível na Igreja Privativa da Misericórdia do Porto, integrada no percurso do MMIPO.

Em meados do século XVIII, devido a problemas estruturais, nomeadamente na cobertura, a Igreja foi alvo de uma intervenção profunda, realizada entre 1748 e 1754. A obra transformou a imagem exterior do templo e deu origem à atual fachada barroca, desenhada pelo pintor-arquiteto italiano.

A Misericórdia do Porto conserva ainda dois desenhos da nova frontaria, considerados os únicos projetos que sobreviveram das obras portuguesas de Nasoni. Nesses estudos, o arquiteto apresentou diferentes soluções para a parte superior da fachada, tendo a Irmandade optado pela proposta mais simples.

A primeira hipótese era, contudo, a mais audaciosa: previa uma fachada mais elevada e integrava esculturas alegóricas da Esperança e da Caridade. Embora essa solução não tenha sido executada, os desenhos permitem compreender melhor o processo criativo de Nasoni e a importância deste património no percurso artístico que deixou na cidade.


Um apontamento patrimonial

A influência de Nicolau Nasoni estende-se ainda à Igreja de Nossa Senhora da Esperança, integrada no conjunto arquitetónico do Colégio de Nossa Senhora da Esperança.

Situada junto ao Jardim de São Lázaro, a Igreja começou a ser construída em 1746, no contexto do então Recolhimento das Meninas Órfãs de Nossa Senhora da Esperança, tendo sido inaugurada em 1763. O projeto é tradicionalmente atribuído a Nasoni, embora a execução da obra tenha ficado a cargo do mestre-pedreiro António Pereira.

A fachada barroca destaca-se na paisagem urbana pela sua riqueza decorativa, enquanto o interior preserva elementos de elevado valor patrimonial, entre os quais retábulos em talha, imaginária religiosa, painéis de azulejo, cantaria de granito e um órgão de tubos. O conjunto da Igreja e do Colégio de Nossa Senhora da Esperança encontra-se classificado como Imóvel de Interesse Público.


Visitar e conhecer

O público pode visitar o MMIPO todos os dias, entre as 10h00 e as 19h00, no horário de verão, de 1 de abril a 30 de setembro, e entre as 10h00 e as 18h00, no horário de inverno, de 1 de outubro a 31 de março. O Museu encerra nos dias 1 de janeiro, 24 e 25 de dezembro, sendo o acesso à Igreja Privativa da Misericórdia do Porto e às salas de exposição permitido até 60 minutos antes do encerramento.

Na Casa da Prelada, o jardim está aberto à comunidade para visitas livres. O Arquivo Histórico, instalado neste espaço, tem acesso gratuito e requer marcação prévia através do endereço arquivohistorico@scmp.pt. 

Ao assinalar o aniversário do nascimento de Nicolau Nasoni, a Misericórdia do Porto convida o público a (re)descobrir estes espaços onde arte, memória e património continuam a dialogar com a cidade.


Juntos celebramos cultura, legado e futuro.