MMIPO

Luzia e João: Uma história de amor para descobrir no Museu


No Dia de São Valentim, o MMIPO convida a conhecer uma das histórias de amor mais marcantes ligadas à Misericórdia do Porto. A vida de Luzia Joaquina Bruce e de João António de Lima atravessa o século XIX e permanece inscrita na memória da cidade.

Natural do Maranhão, no Brasil, foi aí que Luzia conheceu João António de Lima, emigrante dedicado aos seus negócios de produção e comércio agrícola. Apaixonaram-se rapidamente. Apesar do impedimento canónico que os impediu de casar, viveram uma união duradoura, marcada por dedicação e cumplicidade.


Uma vida construída a dois no Porto

O casal fixou-se na cidade do Porto, na Rua de Costa Cabral, onde construiu residência. João António de Lima faleceu em 1891 e deixou uma vasta fortuna a Luzia, que assumiu a sua administração com autonomia e sentido de responsabilidade.

A memória do companheiro tornou-se o eixo da sua ação. Luzia Joaquina Bruce financiou a construção do Hospital da Lapa, inaugurado em 1904, determinando que a estátua de João ali permanecesse em destaque.

Na procura de tratamento para as enfermidades de que sofria, Luzia deixou o Porto, falecendo em 1917 e sendo sepultada em Lisboa. O mausoléu da Lapa, concebido para acolher ambos, guarda ainda hoje apenas o corpo de João António de Lima. A ligação entre os dois permanece, assim, como símbolo de um amor que ultrapassou convenções sociais, perdurando para além da morte.

No seu testamento, Luzia deixou importantes legados a instituições do Porto e do Maranhão, assegurando a preservação da memória do seu amado.


Retrato e memória no MMIPO

No MMIPO encontra-se exposto o retrato de Luzia Joaquina Bruce, da autoria de Acácio Lino e datado de 1933. Este óleo sobre tela ilustra uma das maiores benfeitoras da história da Misericórdia do Porto. O seu legado, de enorme relevância patrimonial e social, figura entre os mais significativos recebidos pela Instituição.

No livro "Luzia. Da Humildade à Benemerência", de Margarida Negrais e editado em 2016 pela Misericórdia do Porto, é descrita a intensidade da relação de Luzia e João, evocando a dor sentida pela benfeitora após a morte do seu companheiro:

"Lembrou os riscos feitos a dois daquele desenho agora ali eternizado no mármore e reviveu em pensamento a atitude sempre cavalheiresca e terna de João que abria a porta, sempre que chegavam a casa, e, pondo-lhe a mão no ombro, a fazia entrar delicadamente. E sentiu, perdida de mágoa, a falta daquela mão encaminhadora. (...) Queria refugiar-se naquele lugar que era só deles - a salinha aconchegante e cheia de luz onde, (...) repousavam, lado a lado, duas poltronas companheiras, precisamente iguais. Não uma maior ou mais cómoda do que a outra, a denunciar alguma diferença no casal; não, poltronas exactamente iguais, siamesas, até na cor, castanho-claro, de couro macio e convidativo. Sentou-se na sua e olhou, perdida, o lugar vazio na outra poltrona. Uma expressão dolorosa vincava-lhe o rosto: Nunca mais!"

Neste Dia dos Namorados, o MMIPO propõe um olhar sobre esta história de amor, memória e benemerência. A visita ao Museu permite descobrir o retrato de Luzia Joaquina Bruce e aprofundar o conhecimento sobre uma mulher cuja vida uniu paixão, compromisso e legado duradouro.




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