José Rodrigues d'Araújo Porto
Grande benfeitor da Misericórdia do Porto

José Rodrigues d'Araújo Porto nasceu no dia 10 de janeiro de 1815 na cidade do Porto. Filho de Luís António Rodrigues d'Araújo e de Ana Albina de São José, foi batizado na Igreja de Santo Ildefonso. Residiu durante 31 anos na cidade de Recife, província de Pernambuco no Brasil, onde casou com Cândida Cardosa d'Araújo Porto. Juntos tiveram um filho, de seu nome José, o qual nunca casou nem teve descendentes. À data do testamento, lavrado em 28 de novembro de 1883, tanto sua mulher como seu filho tinham já falecido. Após ter regressado do Recife, residiu durante 12 anos na cidade de Lisboa até regressar ao Porto.

Nas disposições testamentárias décima e décima nona, num documento que contempla um total de cinquenta e nove, estão plasmadas doações de quantias à Santa Casa da Misericórdia do Porto em Inscrições de Assentamento da Dívida Fundada Portuguesa, com renda de três por cento, ou o equivalente em Obrigações do Governo de 1881, de cinco por cento, com a obrigatoriedade de dar a Maria de Jesus Coelho a quantia de cem mil reis por mês e também a seu tio, José Marcelino Peres Pinto e esposa a quantia de trinta mil reis por mês até aos seus falecimentos. Estes herdeiros foram também contemplados com mais legados. Outra obrigação imputada à Santa Casa foi a de mandar dizer anual e perpetuamente seis missas, uma pela sua alma, uma pela de sua mulher, filho e mais três pelas almas de seus parentes e dos de sua mulher. Também contemplada estava a obrigatoriedade de, anualmente e de forma perpétua, prover seis vestidos completos de inverno a seis pobres, três de cada sexo.

Diversas instituições de índole caritativa, brasileiras e portuguesas (de Lisboa e do Porto) foram recetoras de legados. Algumas sob a égide da Misericórdia do Porto foram diretamente contempladas com doações deste benfeitor no valor de 500 mil réis cada. São o caso do Recolhimento das Lázaras e Lázaros, Recolhimento das Velhas Inválidas e Asilo dos Entrevados de Cimo de Vila (atual Hospital de S. Lázaro), Asilo Barão de Nova Sintra (atual Colégio Barão de Nova Sintra), Recolhimento das Meninas Órfãs de S. Lázaro (atual Colégio Nossa Senhora da Esperança). No quadragésimo oitavo ponto do testamento está explícita a vontade de Araújo Porto em alocar o remanescente da sua herança para a criação (ou apoio) de uma instituição dedicada ao cuidado dos surdos-mudos, que ficaria sob administração da Santa Casa da Misericórdia do Porto. Esta estrutura, apelidada de Instituto Araújo Porto, foi inaugurada a 26 de fevereiro de 1893 estando o edifício situado na rua Joaquim de Vasconcelos no Porto em terrenos que haviam sido doados à Misericórdia pelo benfeitor José Vaz de Araújo Veiga.

José Rodrigues de Araújo Porto faleceu no dia 27 de julho de 1887, estando seu corpo sepultado em Lisboa, sendo cumprida a sua vontade tal como está expressa no seu testamento.


Retrato de José Rodrigues d'Araújo Porto

Óleo sobre tela exposto na sala dedicada à História e Ação da Misericórdia do Porto, o retrato de José Rodrigues d'Araújo Porto foi pintado em 1890 por Eduardo Teixeira Pinto Ribeiro. Sobre este artista do século XIX pouco sabemos, pois não deve ter sido muito conhecido. Frequentou a Academia Portuense de Belas Artes, tendo pintado sobretudo retratos e paisagens.

José Rodrigues d'Araújo Porto
Eduardo Teixeira Pinto Ribeiro
1890
Óleo sobre tela