D. Francisco de Noronha e Menezes
Grande benfeitor da Misericórdia do Porto
Descendente dos marqueses de Vila Real e de Angeja, D. Francisco de Noronha e Menezes, o "Último Fidalgo da Prelada", era filho de D. Manuel de Noronha e Menezes de Mesquita e Melo e de D. Jeanne-Françoise Etienette Vincent, senhora de origem francesa.

Alguns antepassados da família Noronha e Menezes tiveram ligações à Misericórdia do Porto. Saliente-se D. Luísa Pessoa que, no final do século XVI, foi benfeitora da Misericórdia, sendo também a primeira irmã num tempo em que a irmandade era uma instituição para homens; e D. António de Noronha e Menezes de Mesquita e Melo, eleito provedor em 1756.

Do matrimónio entre D. Manuel e D. Jeanne-Françoise nasceram oito filhos: Manuel, Francisco, António, Ana Cristina, Francisca Júlia, Guiomar, Maria e Joaquina. O primogénito, D. Manuel, faleceu na Senhora a Branca, em Braga, em consequência de uma queda a cavalo. Devido a este facto, D. Francisco tornou-se o filho mais velho. O pai distinguiu-o deixando-lhe a terça disponível, que incluía a Quinta da Prelada na freguesia de Ramalde, então nos arrabaldes da cidade do Porto.

D. Manuel era um fidalgo muito abastado, possuindo propriedades em Braga, Guimarães, Monção, Felgueiras e no Porto. Após a morte deste, ocorrida em 1870, D. Francisco de Noronha e Menezes herdou a Quinta. Casou com D. Maria Cristina Pereira Gaio de Noronha, sua prima, que viria a falecer em 1883. Tiveram um filho, de seu nome D. Francisco de Noronha e Menezes Júnior, que faleceu em 1890, vitimado pela tuberculose.

Em 16 de maio de 1903, D. Francisco fez o seu testamento no qual dispôs o seguinte:

"[...] Instituo herdeira do remanescente da minha herança a Santa Casa da Misericórdia do Porto, o qual remanescente consta, entre outros, dos seguintes bens, que possuo nas freguezias de Ramalde e Paranhos [...]

[...] Quero que a Casa da Quinta da Prelada, de muros a dentro, seja, no praso de dous annos, destinada a um Hospital de Convalescentes, ou outro qualquer fim humanitário, e que fique pertencendo perpetuamente à Santa Casa da Misericórdia do Porto, pois debaixo desta condição expressa que a instituo herdeira do remanescente da minha herança [...]."

Faleceu a 26 de fevereiro de 1904, tendo sido sepultado no cemitério de Agramonte.

Dando cumprimento à disposição testamentária de D. Francisco, em 26 de fevereiro de 1906, dois anos após a morte deste grande benfeitor, a Santa Casa da Misericórdia do Porto inaugurou na Casa Prelada um Hospital de Convalescentes.

De início, este hospital começou por acolher doentes convalescentes do sexo feminino encaminhadas do Hospital de Santo António.

Mais tarde, em 1953, o Hospital de Convalescentes passou a internar crianças funcionando também uma consulta externa, dependentes tecnicamente, quer o internamento quer a consulta, do Serviço de Pediatria do Hospital de Santo António.

A Casa da Prelada passou a desempenhar funções de Centro de Recuperação de Diminuídos Físicos, a partir de 1961. Das atividades desenvolvidas, salienta-se a secção de Terapêutica Ocupacional. Nela se desenvolveu a terapêutica física, a ocupação, o interesse e até a vocação de alguns dos internados.

A partir de 1973, o edifício transformou-se num lar de terceira idade tendo mantido esta atividade durante trinta anos.


A Quinta da Prelada

Situada na freguesia de Ramalde, junto ao Carvalhido, na rota dos Caminhos de Santiago, a Quinta da Prelada elege-se como um dos espaços mais notáveis e grandiosos do aro do Porto.

Em 1758, nas Memórias Paroquiais de Ramalde, o padre Francisco Mateus Xavier de Carvalho fez uma descrição exaustiva da propriedade, salientando que "passa pella melhor destas Provincias", e que "as cazas estão comesadas com risco de Nasoni, pintor italiano, que vive na Cidade do Porto".

Este vasto conjunto arquitectónico e paisagístico subordinava-se a um eixo de simetria que passava pelo centro da Casa e terminava no Castelo. Ao longo deste percurso, organizavam-se os diversos espaços e elementos do programa paisagístico da Quinta. As Memórias Paroquiais são bem esclarecedoras quanto a isto, ao descreverem fontes, lagos, tanques, bancos pintados de fresco, labirinto de buxo, esculturas, latadas, entre outros elementos.

Após o encerramento do Lar D. Francisco de Noronha, a Casa e os jardins envolventes foram alvo de uma profunda recuperação, tendo sido devolvidos à cidade em 2013.


Retrato de D. Francisco de Noronha e Menezes

Pintado por António Carneiro, o retrato de D. Francisco de Noronha e Menezes, exposto na sala do MMIPO dedicada à História e Ação da Misericórdia do Porto, apresenta um fundo neutro e a figura do benfeitor numa pose pouco formal, o que lhe confere uma naturalidade e uma genuidade marcantes. Estas características são reforçadas com o esclarecimento que o pintor deu ao apor, junto à sua assinatura, a indicação "cop. de photographia". Esta foto integra o acervo fotográfico do Arquivo Histórico da Santa Casa da Misericórdia do Porto, hoje sito na Casa da Prelada - D. Francisco de Noronha e Menezes.

D. Francisco de Noronha Menezes
António Carneiro
Século XX (início)
Óleo sobre tela
251 x 132 cm