Retrato de D. Ana Machado Leão

Desta benemérita pouco sabemos, para além das informações colhidas no seu testamento.

Era viúva de José do Nascimento Leão e morava na Rua do Almada, na cidade do Porto. Viveu, temporariamente, na companhia da irmã Carlota Joaquina Machado de Castro, que morava na Rua de Camões da mesma cidade.

No seu testamento estão elencadas disposições que passamos a enumerar. Como nota introdutória, Ana Machado Leão atesta que é Cristã e "crente em todos os mysterios que cre e ensina a Santa Igreja Catholica apostólica romana", assim como deixa claro que não possui herdeiros legítimos, ascendentes ou descendentes.

Deixa expresso também que deseja um enterro modesto. Quanto às demandas testamentárias, manda que se realizem cinquenta missas pela sua alma, pela alma de seu marido e pelas almas de seus pais, sogros e cada uma de suas irmãs (Dona Helena, Dona Perpétua e Dona Francisca), sendo a esmola de cada missa celebrada fixada em quinhentos réis. Deixa a Nossa Senhora das Dores, venerada na Igreja de Santo António dos Congregados, a sua cruz de brilhantes com um fio de pérolas e solitárias. Ao Senhor de Matosinhos doa uma bacia e jarro em prata.

Deseja que se construa no Cemitério de Agramonte um jazigo, que não custe mais que um conto de réis, para nele se recolherem os seus restos mortais, assim como os de seu marido e sua irmã D. Perpétua. Também lega bens pecuniários e materiais a diversas pessoas que nomeia individualmente.

Determina que o remanescente da sua herança seja atribuído ao Hospital da Santa Casa da Misericórdia (atual Hospital de Santo António) e ao Asilo de Barão de Nova Sintra (atual Colégio do Barão de Nova Sintra), com a condição que tal legado fique na posse de sua irmã, D. Carlota Joaquina Machado de Castro, enquanto esta for viva.

D. Ana Machado Leão faleceu no dia 17 de outubro de 1885. As suas exéquias tiveram lugar na Igreja da Santa Casa da Misericórdia do Porto, estando sepultada no Cemitério de Agramonte.

Os seus dois retratos, que fazem parte do acervo da Misericórdia do Porto, foram executados por Custódio Rocha, pintor do séc. XIX, também autor do retrato a corpo inteiro de Joaquim Ferreira dos Santos (Conde de Ferreira).

O retrato exposto no Museu, pintado em 1886, esteve no Estabelecimento Humanitário do Barão de Nova Sintra (atualmente designado por Colégio do Barão de Nova Sintra).