Manuel Vilaça Cerqueira Bacelar
Clérigo, colecionador, capitalista, irmão e benfeitor da Misericórdia do Porto.

Filho de João Araújo Ferreira Vilaça e de D. Luísa Maria Teixeira Bacelar, Manuel Vilaça Cerqueira ou Sequeira Bacelar nasceu em Vila Real, na freguesia de São Pedro, a 4 de março de 1766. Era presbítero da ordem de São Pedro. 

Herdou a fortuna de seu irmão António que o havia instituído herdeiro universal de todos os bens. Este facto permitiu-lhe, a partir de 1840, desenvolver o seu gosto pelas artes, traduzida numa atividade de tipo mecenático e no colecionismo. A memória do irmão foi perpetuada num jazigo, construído no cemitério de Santo Ildefonso que, após o desmantelamento desta necrópole, foi transferido para o Cemitério do Prado do Repouso.

Ocupou o cargo de vice-provedor na Irmandade de Nossa Senhora do Terço e da Caridade, em 1827, e foi irmão da Santa Casa da Misericórdia do Porto.

No seu testamento, o padre Bacelar nomeou por testamenteiros duas pessoas da sua confiança e amizade: Manuel José de Sousa Araújo e Simão Duarte de Oliveira, ambos proprietários e comerciantes na cidade do Porto, a quem deixou, entre outros, vários objetos de ourivesaria.

Instituiu para herdeiros os seus sobrinhos Luísa, Maria Augusta, Francisco e Marta. A leitura do seu testamento dá-nos conta da quantidade e da qualidade dos objetos que possuía, sobressaindo peças de mobiliário, de ourivesaria, retratos e louças que deixa também aos seus afilhados e às suas empregadas, a quem designa por "minhas patroas". Tais objetos atestam o seu poder económico e a sua representatividade social.

A Misericórdia do Porto foi contemplada com dois cálices, sendo o "mais rico" para a Santa Casa (Igreja Privativa) e o "menos rico" para o Recolhimento das Órfãs (atual Colégio de Nossa Senhora da Esperança), conforme determinou em testamento. Tratam-se de duas peças quinhentistas, em prata dourada, provenientes do Mosteiro de Arouca, presentemente expostas na Sala de Ourivesaria e Paramentaria do MMIPO. Os cálices haviam sido vendidos pela abadessa do Mosteiro ao colecionador João Allen, pelo facto de as monjas se encontrarem em grandes dificuldades económicas. Foram arrematados em 1849 pelo padre Manuel Vilaça Cerqueira Bacelar, após a morte daquele colecionador, pelas quantias de 240 mil reis, o maior, e de 96 mil reis, o menor.

Além do seu gosto pelo colecionismo, o padre Manuel Bacelar foi um protetor das artes, designadamente do artista João António Correia, a quem apoiou financeiramente na sua formação e no desenvolvimento da sua carreira, bem como na qualidade de cliente das suas obras. Foi também um dos notáveis na Representação à Câmara do Porto para a compra do "Museu Allen".

Manuel Vilaça de Cerqueira Bacelar faleceu a 15 de maio de 1860, com 94 anos, na rua de São Lázaro, freguesia da Sé, onde morava, tendo sido sepultado no cemitério do Prado do Repouso na secção relativa à Confraria de Santo Ildefonso.

Vários retratos, de consagrados artistas como Francisco António Silva Oeirense, Augusto Roquemont, João António Correia e Joaquim Vitorino Ribeiro, imortalizaram o padre Manuel Vilaça Cerqueira Bacelar.

O retrato do benemérito, exposto na Sala dos Benfeitores do Museu, é da autoria de Joaquim Vitorino Ribeiro, sendo "(?) considerado pela crítica como dos melhores trabalhos daquele talentoso artista (?)", de acordo com uma nota publicada na Revista O Tripeiro de dezembro de 1948. Esta obra, pintada muito tempo após a morte do benfeitor, representa Manuel Bacelar já na fase final da sua vida.


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Manuel Vilaça Cerqueira Bacelar

Joaquim Vitorino Ribeiro, 1898

Óleo sobre tela