António Monteiro dos Santos
Grande Benfeitor da Misericórdia do Porto

Natural da freguesia de São Pedro de Miragaia, António Monteiro dos Santos era filho de Manuel António dos Santos e D. Maria Ermelinda Monteiro dos Santos, ambos naturais da freguesia de Azurara, concelho de Vila do Conde. Casou com D. Maria das Dores Santos Silva em 18 de julho de 1917, da qual não teve filhos. Morava na Rua dos Bragas, sita na freguesia de Cedofeita. Era irmão de Manuel António Monteiro dos Santos, outro grande benfeitor da Misericórdia do Porto, que instituiu o Asilo-Escola para Cegos de São Manuel.

No testamento de António Monteiro dos Santos pode ler-se que deixou "duzentos e quarenta mil escudos para serem distribuidos por todos os estabelecimentos e instituições de caridade e beneficência, desta cidade [Porto], taes como hospitais, asilos, recolhimentos, institutos, conferencias, creches, maternidades, oficinas, albergues, etc., que não estejam administrados pelo Estado, assistência publica, ou camaras municipaes, ou a cargo destas e daquele". O seu legado contemplou também outras instituições fora da cidade.

No que respeita à Santa Casa da Misericórdia do Porto, o benfeitor deixou 30.000 escudos em papéis de crédito com o propósito de o Asilo dos Cegos de São Manuel e a Escola ou Instituto de Cegos se constituírem num só estabelecimento, com a designação de "Asilo-Escola para Cegos de S. Manuel, fundado por Manuel António Monteiro dos Santos" em alusão ao instituidor e seu irmão. Deixou ainda à Santa Casa entre 1500 a 6000 escudos para cada um dos estabelecimentos de caridade e beneficência; 36.000 escudos para a secção de socorros domiciliários; 30.000 escudos para o Hospital Geral de Santo António; 30.000 escudos para a fundação de uma sopa económica; 30.000 escudos para a fundação de um lactário; 300.000 escudos para a construção de dez "Bairros dos Pobres" - Bairro Monteiro dos Santos; 800.000 escudos em papéis de crédito para a construção de um Asilo-Hospital para Incuráveis e Inválidos.

No rol testamentário de António Monteiro dos Santos realce-se ainda esta determinação especial: "Deixo às Sociedades Protetoras de Animaes desta cidade [Porto] e da cidade de Lisboa, mil e quinhentos [escudos], a cada uma, para continuarem a bem preencher os seus fins humanitários e fazerem propaganda para a prohibição das touradas neste paiz."

António Monteiro dos Santos faleceu a 28 de maio de 1924, tendo sido sepultado no Cemitério Privativo da Venerável Ordem Terceira de São Francisco, em Agramonte.

O retrato de António Monteiro dos Santos, exposto no MMIPO na sala dedicada à História e Ação da Misericórdia do Porto, é um óleo sobre tela pintado por Eduardo Moura em 1926.