Ana Amélia dos Santos A. Silva
Benfeitora da Misericórdia do Porto
Filha de José Francisco Nogueira, proprietário, e de Maria Francisca dos Santos, dona de casa, Ana Amélia dos Santos Araújo e Silva nasceu a 23 de julho de 1830 na freguesia de Leça da Palmeira, então pertencente ao concelho de Bouças (hoje Matosinhos). Casou a 20 de maio de 1858 em Leça da Palmeira com Domingos da Silva Baltazar, negociante ligado à indústria da moagem, natural de Milheirós, freguesia pertencente ao concelho da Maia. Deste matrimónio não houve filhos. O casal habitou numa propriedade, que se situava à saída da antiga Ponte de Pedra de Leça.

Ana Amélia fez testamento, o qual foi aprovado em 20 de setembro de 1905, tendo instituído para seus testamenteiros em primeiro lugar, Tomás Martins Ramos Guimarães, e, em segundo, Fernando Rocha Guimarães e António da Silva Cunha. O primeiro nomeado, além de ser seu sobrinho, pertencia à Mesa Administrativa da Misericórdia do Porto, razão que, provavelmente, motivou a benfeitora a deixar uma elevada quantia monetária à instituição.
Com efeito, legou 5.000$000 réis para o rendimento deste montante ser mensalmente associado à subvenção que era atribuída às internadas do Hospital das Entrevadas e do Recolhimento das Viúvas Pobres, e 1.000$000 réis ao Instituto de Surdos-Mudos Araújo Porto (hoje Palacete Araújo Porto).

No seu testamento, a benfeitora também deixou vários legados em dinheiro para os pobres de Leça da Palmeira, assim como para a Confraria do Santíssimo Sacramento e para o Asilo da Conceição desta freguesia. Na cidade do Porto, a Ordem do Carmo e a Escola de Cegos Branco Rodrigues também foram contempladas com legados em dinheiro.
Faleceu a 01 de março de 1906 na casa n.º 379, sita à rua de Cedofeita, com 77 anos de idade, tendo sido sepultada no cemitério de Agramonte.

O retrato da benfeitora encontra-se exposto no MMIPO, na sala dedicada aos Benfeitores, tendo sido colocado na Galeria dos Benfeitores em 1907. É um óleo sobre tela, de pequenas dimensões, da autoria de António José da Costa (1840-1929). A partir de uma fotografia na qual D. Ana Amélia, ainda jovem, foi captada com uma expressão serena e com uma indumentária sóbria conforme os preceitos da época, António José da Costa representou a benfeitora desta forma recorrendo a um desenho fluído e a um colorido austero, mas harmonioso.
Discípulo de João António Correia e Francisco José Resende, António José da Costa distinguiu-se por executar retratos e flores. Concluiu o curso de Pintura Histórica da Academia Portuense de Belas-Artes, tendo participado na grande Exposição Internacional realizada no Palácio de Cristal, em 1865, e na Exposição Portuguesa do Rio de Janeiro, em 1908.
Além do retrato da benfeitora, realçam-se, na coleção de retratos da Misericórdia do Porto, outros retratos realizados por este pintor, nomeadamente: o do benfeitor Lino Henrique Bento de Sousa, Conde de Santiago de Lobão, e o de Domingos Martins Fernandes Guimarães.

Ana Amélia dos Santos Araújo e Silva
António José da Costa, 1907.
Óleo sobre tela


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